sexta-feira, 27 de junho de 2008

"O BOLHÃO EM LISBOA"

O Bolhão vai a Lisboa à Sociedade Portuguesa de Autores, e com ele todo os registo de 5 meses de acções informativas que a Plataforma Intervenção Cívica e o Movimento Cívico e Estudantil do Porto têm realizado na perspectiva da Preservação e urgente Reabiltação do Mercado bem como a Manutenção do Património da Cidade do Porto, constantemente ameaçado.

Será feita a leitura do manifesto da Plataforma de Cidadãos, Associações, Comerciantes, (Plataforma de Intervenção Cívica do Porto -PIC-porto).

Estarão presentes Personalidades do País que irão abordar algumas temáticas relacionadas com a Preservação e a Operacionalidade no Património.

Divulgação de acções futuras, na Preservação do Património da Cidade do Porto.
Poderão obter mais informações no Flyer...ou em manifestobolhao@gmail.com

O Movimento Cívico e Estudantil vai estar presente.
Até breve!




terça-feira, 17 de junho de 2008

"Ex-presidente da autarquia, Fernando Gomes, garante que projecto de Massena ainda é válido"

"O Primeiro de Janeiro" - Eduarda Vasconcelos


O projecto de reabilitação do Mercado do Bolhão da autoria de Joaquim Massena “é válido até deliberação que o anule”. O ex-autarca Fernando Gomes não tem dúvidas de que Rui Rio “desprezou” a vontade dos munícipes de forma pouco democrática, pretendendo transformar o Bolhão num “shopping center”.

O ex-presidente da Câmara do Porto, Fernando Gomes, classificou ontem como “lamentável” a atitude do actual executivo de coligação PSD/CDS-PP “em arquivar o projecto [do arquitecto Joaquim Massena para o Mercado do Bolhão] e deitá-lo para o lixo sem dar qualquer satisfação aos cidadãos”. No entender do antigo autarca do PS, o projecto “é válido até deliberação que o anule”.

Ao ser ouvido em audiência pelo deputado socialista na Assembleia da República (AR), Fernando Jesus, responsável encarregue de produzir um relatório que responda à petição entregue em Abril na AR, Fernando Gomes defendeu insistentemente a ideia de que Rui Rio não poderia ter ignorado a existência de um projecto que custou aos cofres públicos cerca de 1,150 milhões de euros e que foi aprovado por unanimidade pelo executivo de então apesar de o PS não ter sequer a maioria.

“A câmara da altura reflectiu muitíssimo”, salientou, referindo que o processo foi primeiro avaliado pela Faculdade de Arquitectura e houve depois um concurso ganho por Joaquim Massena, cujo júri de avaliação era composto pelas principais entidades que deviam pronunciar-se, estando a autarquia em minoria com dois vereadores. O projecto esteve inclusivamente em exposição pública no Mercado Ferreira Borges”, recordou ainda, sustentando que “todo o processo foi transparente e democrático”. “Há um documento aprovado legitimamente pelos cidadãos que continua válido.

Para o anular teria de haver uma desaprovação municipal, mas o que houve foi uma espécie de rejeição tácita e não formal”, criticou.

O ex-edil frisou que o executivo está a ter “uma atitude pouco democrática e de desprezo pelas deliberações municipais”, embora admita que o projecto de Joaquim Massena tivesse de sofrer hoje algumas alterações de reajustamento: “Mas no essencial eu manteria o projecto”, afiançou. Começar do zero, como o que sucedeu, é que “é uma situação que não honra a cidade do Porto e não está na sua tradição”.

Fernando Gomes criticou, assim, que o executivo de Rui Rio tenha voltado a lançar um concurso público e censurou mais ainda que esteja a entregar o Mercado do Bolhão a uma gestão privada. Por aquilo que diz conhecer através dos jornais e das notícias que estes vão relatando, o ex-presidente da autarquia portuense considera que o conceito defendido pela empresa holandesaTramCroNe (TCN) é o de “transformação radical do Bolhão”.

Instado por Fernando Jesus a comentar o facto de o IGESPAR (Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico) só ter sido chamado a pronunciar-se numa fase posterior do processo, Gomes garantiu que a sua atitude seria a de “consultar primeiro o Ippar [hoje IGESPAR] para saber que iniciativas se podia tomar” em termos de obras a realizar no edifício.A necessidade de realização de uma intervenção é ponto indiscutível para o ex-autarca sob pena de o mercado se transformar num “fóssil”. No entanto, Fernando Gomes diz discordar do conceito da TCN que “parece que quer fazer ali um shopping center”. “O que nós aprovamos foi a manutenção do mercado tradicional como espaço central e tudo o resto seria periférico”, adiantou, acrescentando que “também nunca foi equacionado pela câmara da altura qualquer privatização”, ao contrário do que chegou a afirmar, também em audiência, o ex-vereador com o pelouro dos mercados, Oliveira Martins. Fernando Gomes realçou que a única coisa que se ponderou criar foi uma empresa municipal que ficasse responsável pela gestão dos mercados, pois não tem por “legítimo o caminho da privatização”.

O responsável diz reconhecer a utilidade dos privados em muitos processos, mas, frisou, “neste caso a componente não deve ser hegemónica”.

Financiamento

O investimento estimado na década de 90 do século passado com base no projecto do arquitecto Joaquim Massena ascendia, na moeda daquela época, a 2, 5 milhões de euros. Fernando Gomes lembrou que a autarquia queria aproveitar os fundos comunitários e sempre teve por entendimento que o investimento inicial seria sempre a fundo perdido, isto é, não recuperável.

“A preocupação era depois que não houvesse despesas”, destacou, avançando ainda que a Expo 98, em Lisboa, acabou por trocar as voltas à autarquia pois absorveu a grande maioria dos fundos do Quadro Comunitário de Apoio de 1998. Fernando Gomes lamenta, porém, que depois não se tivesse aproveitado as verbas do quadro comunitário seguinte. O ex-autarca diz mesmo que foi um “erro” esta decisão de não se avançar com uma candidatura.

Audições
As audiências sobre o processo do Bolhão encontram-se numa fase de conclusão, após a audiência de ontem com Fernando Gomes. O deputado Fernando Jesus afirmou que agora apenas irá ouvir de novo o IGESPAR e a Câmara do Porto, na pessoa do vereador do Urbanismo, Lino Ferreira.
“O IGESPAR tem de definir a sua posição”, frisou, lembrando que na primeira audiência a arquitecta Paula Silva admitiu que o instituto ainda não conhecia qualquer projecto da TCN, mas apenas intenções.

Após ouvir estas duas entidades, Fernando Jesus considera-se pronto e preparado para redigir o relatório final que será depois levado à Assembleia da República para análise no âmbito da petição já entregue. Recorde-se que o deputado já auscultou também o arquitecto autor do projecto de 1998, Joaquim Massena, os próprios comerciantes do interior e exterior do mercado, o presidente da Associação de Comerciantes do mercado, Alcino Sousa, a presidente da Associação dos Comerciantes do Porto, Laura Rodrigues, a TCN e a Ordem dos Arquitectos.

domingo, 15 de junho de 2008

"«Participação e Cidadania» debateu Joaquim Massena, Rui Sá, Elisa Ferreira e Teixeira Lopes"

A Plataforma de Intervenção Cívica promoveu novo debate sobre a defesa do património do Porto. Ainda com o Bolhão como pano de fundo, Joaquim Massena, Rui Sá, Elisa Ferreira e João Teixeira Lopes foram uníssonos no alerta: “O património da cidade está a desaparecer”.

“Património cultural, arquitectónico e histórico do Porto”. Segundo José Silva, são esses os pilares da Plataforma de Intervenção Cívica. Paradoxalmente, a plataforma surge para os proteger, para os hastear, quando, na óptica dos seus membros, eles estão constantemente a ruir na Invicta. Nesse sentido, o debate «Participação e Cidadania», que decorreu ontem no Clube Fenianos Portuenses, contou com quatro intervenientes, cujas intervenções foram unificadas por um receio comum: “O património do Porto está a desaparecer”.


Joaquim Massena, arquitecto autor do projecto vencedor do concurso de reabilitação do Mercado do Bolhão, promovido pela Autarquia do Porto em 1998, voltou a frisar que “o património, o verdadeiro registo da nossa identidade, não pode ser demolido, deve ser apenas restaurado”. Embora a efervescência em redor da actual polémica da reabilitação do Mercado do Bolhão (a concessão à empresa TramCrone – TCN, alegadamente, prevê a demolição de todo o interior do Bolhão de forma a garantir recuperação do investimento) tenha persistido como o epicentro, o arquitecto efectuou um levantamento histórico de situações “onde a cidade sofreu um conjunto de alterações, ligadas ao desenvolvimento só na vertente económica, descurando gravemente o lado patrimonial”.

Relembrou a transformação altimétrica do Porto, com a construção da Ponte Luiz I, “que ao voltar a remeter a cidade para uma cota alta, obrigou a flagelar uma ferida acentuada no património. O Burgo, onde estava situado o Morro da Cividade, que estabelecia a origem da cidade, foi fortemente afectado do ponto de vista patrimonial”. Após elencar outros exemplos, o arquitecto sublinhou que “se o desenvolvimento não for racional e sustentado, se o património continuar a ser demolido com a obsessão economicista, sem qualquer preocupação com os valores humanos, históricos, culturais e sociais, estamos condenados a perder a identidade”.

A eurodeputada Elisa Ferreira salientou a necessidade de preservar a alma das cidades. “As pessoas, a cultura e os seus modos de vida”. A seu ver, a pedra, o ferro e outras estruturas de nada valem sem a essência dos sítios, perpetuada pelo lado humano. “Foram as pessoas que lá trabalham, a sua actividade peculiar, que tornaram o Bolhão um local especial, com o valor histórico que todos reconhecem”. Segundo a eurodeputada, reabilitar só com o intuito da obtenção de lucro vai, inevitavelmente, asfixiar essa essência e matar o seu valor cultural e patrimonial.

“Biblots!”
Segundo Rui Sá, “os poucos comerciantes tradicionais que a TCN quer manter no Bolhão são meros biblots, para decorar e dar algum especto típico ao mercado para atrair turistas”. O vereador municipal da CDU teceu duras criticas a todo o processo de concessão à TCM: “O contrato aprovado na câmara é um autêntico cheque em branco. Está repleto de alíneas que remetem para anexos inexistentes ou indefinidos”.

Rui Sá salientou que a gestão dos equipamentos municipais deve assumir várias responsabilidades. “Salvaguardar o património, manter equipamentos que cubram lacunas do mercado, garantir a sua função não lucrativa ao serviço das várias instituições das cidades, a fruição e livre acesso dos munícipes”.

Enunciou seis privatizações (Palácio do Freixo, Bolhão, Pavilhão Rosa Mota, Rivoli, Ferreira Borges, Praça Lisboa, Bom Sucesso) onde, garantiu, “nenhum desses requisitos é preenchido”.

“Não é nas pedras mortas e bafientas. O património é dar vida a essas pedras, pô-las a falar sobre a nossa identidade, a nossa memória, a nossa história”, afirmou João Teixeira Lopes. Analogamente, o deputado do BE, considerou os portuenses pedras duras, “mas no bom sentido, daquelas rijas, que não se resignam, que não desistem”.

A seu ver, os portuenses devem assumir essa característica perante a Câmara Municipal do Porto, “cujo silêncio é uma estratégia que visa cansar, desmobilizar”.

Massena salientou igualmente a necessidade de diálogo, “sadio e construtivo”, com os portuenses sobre todos os projectos da cidade.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Sábado 14 de Junho - Em debate: "PARTICIPAÇÃO E CIDADANIA"

(Entrada é Livre)
SÁBADO 14 DE JUNHO (14:30H)- EM DEBATE :
"PARTICIPAÇÃO E CIDADANIA"

Arquitecto MANUEL CORREIA FERNANDES - MODERADOR
NO "CLUBE DOS FENIANOS DO PORTO" - AVENIDA DOS ALIADOS N.º29 - sábado às 14:30H
CONTACTOS: JOSÉ MARIA SILVA (ORGANIZAÇÃO PIC-porto): 933409304


PAINEL:

Doutora ELISA FERREIRA - Deputada no Parlamento Europeu
"O ESTADO E A GESTÃO PÚBLICA"

Doutor JOÃO TEIXEIRA LOPES - Professor e Sociólogo
"O PATRIMÓNIO E A MEMÓRIA COLECTIVA"

Engenheiro RUI SÁ - Vereador na Câmara Municipal do Porto
"OS EQUIPAMENTOS AO SERVIÇO DOS MUNICIPES"

Arquitecto JOAQUIM MASSENA - Mestre em Restauro e Reabilitação do Património
"A MEMÓRIA E A OPERACIONALIDADE NO PATRIMÓNIO"


para mais informações:
http://manifestobolhao.blogspot.com
ou José Maria Silva 933409304
ou
manifestobolhao@gmail.com

Um Abraço e Participem no debate!
Movimento Cívico e Estudantil do Porto

domingo, 1 de junho de 2008

Reunião da Plataforma: 3 de Junho

Próxima reunião PIC:

Data: Terça-Feira, dia 3 de Junho
Hora:
18:30

Local:
Associação de Beneficiência
(edifício em frente ao Mercado do Bolhão)

Ordem de trabalhos:
a) Divulgação detalhada sobre a Conferência Cívica que irá decorrer no dia 14 de Junho.
Lançamento do painel de oradores e temáticas abordadas na Conferência.

b) Pormenores sobre o "Processo- Mercado do Bolhão"

c) Passagem de um Video-Reportagem, que relata em Sintese os 5 meses do percurso com Mercado do do Bolhão, dos vários Cidadãos, Movimentos, e Associações.
O Video regista em 15minutos, as primeiras tertúlias no Café Ceuta, os vários Gestos Cívicos no Mercado, a ida ao Parlamento com a entrega das 50.000 assinaturas, as várias acções que decorreram até ao Sábado passado, com a pintura dos vários paineis no Bolhão.

d) Outros pontos de abordagem livre

O Movimento Cívico e Estudantil do Porto vem relembrar a todos os visitantes interessados no debate gerado em volta do Mercado que as reuniões são abertas à participação de todos, sendo um local priviliegiado do debate que já se revelou bastante enriquecedor e dinamizador da luta contra a demolição do Mercado do Bolhão e em defesa da sua manutenção.

Convida por isso toda a população do Porto, assim como os seus Movimento e Associações, a levar a estas reuniões livres e abertas à Cidade várias problemátcas sobre o Porto para que seja possível abrir o diálogo e a análise sobre os diversos temas.

sábado, 31 de maio de 2008

Atelier Bolhão - "O Mercado da Nossa Memória"

Uma demonstração tranquilia e determinada de quem tem afectos ao Bolhão.

A pintura iniciou com a entrada de dois Mestres Portuenses, Alberto Péssimo e José Emidio que sugeriram o mote à comunidade para pintar os paineis com cerca de 20 metros de comprimento, com temas livres sobre o Mercado.


O resultado pode ser expresso em algumas imagens. A energia, essa, só no local é que podia ser sentida.


A união que faz do Porto uma Cidade Invicta fez-se sentir numa manhã onde as cores do interior do Mercado mergulharam nos longos paineis expostos.

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Atelier Bolhão

PINTURA DE PAINÉIS ARTÍSTICOS
31 de Maio - Sábado - Início às 10h30


Artistas musicais:

Grupo de Animanção Psico-Social

Rancho do Douro Litoral
Artistas plásticos:

Alberto Péssimo
Epik
José Emídio

O Bolhão está vivo - As artes comandam o sonho do Mercado ser mantido

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Preocupante o Silêncio da Câmara do Porto e do IGESPAR, face às declarações de hoje da TCN


CONTRADIÇÕES no processo Bolhão lançadas hoje pela empresa imobiliária TCN ao PJaneiro:
1- "A troca de ideias entre a TCN, a Câmara do Porto e o Igespar já terminou." (Pedro Neves - Administrador da empresa imobiliária) - Como podem ter terminado a "troca de ideias" com o Igespar, se na audiência com o deputado relator da Assembleia da República, a arquitecta Paula Silva, directora do Igespar, referiu não ter recebido nenhum projecto para o edifício?

2- "Para breve deverá estar a apresentação da solução da TramCroNe para a instalação do mercado provisório, onde durante cerca de dois anos vão ser instalados os comerciantes do Bolhão." (TCN)- Como é possível esta declaração se ainda não decorreram negociações com os comerciantes?

3- O que estamos a fazer agora é entrar no detalhe “, explicou o responsável, que adiantou que o próximo passo será “dar entrada do projecto na câmara” (TCN) - Será que os 50.000 peticionários não merecem respeito? Será que os Orgãos de Soberania, nomedamente os Tribunais e a Assembleia da República já não merecem respeito?


O silêncio da C.M.Porto e do IGESPAR é preocupante!

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Entrega de riqueza a privados é comprometer os portugueses num futuro próximo

O ex.Presidente da República Mario Soares em declarações à comunicação social, levantava o pano de algumas imagens de alerta que poderão existir no País se não se alterar a perspectiva actual de abandono da riqueza nacional.

Mario Soares reitera: "fortalecer o Estado, para os tempos que aí vêm, e não entregar a riqueza aos privados."
"O socialista alerta para o facto da pobreza e desigualdades sociais estarem a agravar-se em Portugal, conforme regista o relatório da União Europeia (Eurostat) e o estudo coordenado pelo sociólogo Bruto da Costa, intitulado intitulado Um olhar para a pobreza em Portugal, divulgados há dias."

"Mário Soares deposita pouca fé na classe mais rica e no sector privado na resolução da pobreza e das desigualdades sociais: «Urge, igualmente, fortalecer o Estado, para os tempos que aí vêm, e não entregar a riqueza aos privados. Não serão, seguramente, eles que irão lutar, seriamente, contra a pobreza e reduzir drasticamente as desigualdades».
Nas palavras de Mário Soares, este é um tempo determinante, que não se pode adiar: «Já uma vez, nestes últimos anos, escrevi e agora repito: "Quem vos avisa vosso amigo é."
Artigo Lusa

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Semana do Bolhão na Casa da Horta

Uma iniciativa da Associação Cultural: "Casa da Horta"

28 Maio, quarta-feira
-> 18h - conversa-debate com PIC (Plataforma de Intervenção Cívica), que teve inicio aquando da luta pela preservação do mercado do Bolhão.
-> 21h30 - documentários sobre os protestos por um Bolhão sem centros comerciais, vários autores.

29 Maio, quinta-feira
-> entre as 17h30 e as 19h30 - Vem pintar um saco de pano para apoiar o Bolhão (3€ o saco), iniciativa do GAIA (Grupo de Acção e Intervenção Ambiental).
-> 21h30 - mostra fotografias das vários iniciativas do Movimento em torno do Bolhão, vários autores.

30 Maio, sexta-feira
-> 21h30 - documentários sobre os protestos por um Bolhão sem centros comerciais, vários autores.

31 Maio, sábado
-> entre as 16h e as 19h - Vem pintar um saco de pano para apoiar o Bolhão (3€ o saco), iniciativa do GAIA (Grupo de Acção e Intervenção Ambiental). Na praça de S. Francisco (ao lado da Casa da Horta).

-> 20h - jantar popular* com iguarias do Bolhão + bailarico (22h)
* Mesas corridas com petiscos portugueses vegetarianos (pica-pau, bolinhos salgados, bifanas...), arroz, vinho, aletria e arroz-doce. Tudo: 10€ (parte do lucro reverterá para ajudar nas custas judiciais com o processo de defesa do Bolhão).

Até ao final do mês:
-> Exposição de fotografias sobre os sábados de protesto contra a transformação do Bolhão num centro comercial.
-> Postais, pins, dvd's, sacos pelo Bolhão, na Casa da Horta, para ajudar a pagar as custas jurídicas do movimento em defesa do Bolhão.

Casa da Horta, Associação Cultural
Rua de São Francisco, 12A
4050-548 Porto
Perto da Igreja de São Francisco e Mercado Ferreira Borges. Paragem de Metro mais próxima é a de São Bento.

Email: casadahorta@pegada.net
Tel: 965545519


domingo, 18 de maio de 2008

"A Cidade e o Bolhão"

Artigo de Rio Fernandes - Geógrafo
1.Escalas

A cidade já não é que era, dizem-nos. E afinal sempre assim foi, ou seja, está sempre a passar a ser o que não era antes!

Dos resultados de um processo de suburbanização recente que, por tardio, foi mais acelerado e desregulado, salienta-se o duplo vazio no "velho centro", com prédios desocupados a cair e na "cidade nova", com andares à venda e edifícios há anos por acabar (em Valongo, como Rio Tinto, ou Oliveira do Douro).

O que é que isto tem a ver com o Bolhão? Quase tudo! Desde logo, porque nesta cidade alargada e de vários centros, o mercado deixou de ser central e de servir os muitos que estavam dependentes da Baixa do Porto " para a maioria das suas compras e serviços. Além disso, a intermediação entre o campo e a cidade deixou de se fazer na área central, assim como em estabelecimentos de mercearia, talho ou peixaria, e passou no essencial para a envolvente, em hipermercados e discounts espalhados por toda a cidade alargada, de preferência junto aos nós viários e às áreas mais populosas (de resto como já tinha acontecido com as feiras nos séculos XVIII e XIX, junto às portas da muralha e às principais estradas de ligação).

2. Tempos

A cidade é um depósito vivo de várias épocas, das suas formas e dos seus usos, num mix em cada caso único, feito em cada momento de diversas persistências e emergências. Infelizmente, gasta-se demasiado em "tapetes da sala de estar", ou seja, nos pavimentos das praças de recepção e aparato (assim como no seu mobiliário, dito urbano), bem mais do que em praças de estar, nos espaços onde residimos, ou nos locais onde trabalhamos e consumimos (estabelecimentos, mercados, ou espaços empresariais).

No mix do Porto, é desigual a importância de diferentes épocas, ressaltando a grandiosidade do Porto do século XVIII, com o barroco de Nazoni e o notável esforço regularizador de João de Almada (continuado pelo seu filho). Os finais do século XIX e os primeiros anos do século XX foram outro momento alto da cidade, com a emergência e triunfo da Baixa (à cota alta face à Ribeira e S. Domingos) como centro novo e único, dele e da cidade passando a fazer parte elementos tão essenciais e intocáveis na compreensão e identidade, como a Torre dos Clérigos ou a Igreja da Misericórdia o são para o barroco do século XVIII. É o caso da Estação de São Bento, do Mercado do Bolhão e da (já infelizmente alterada, sobretudo (re)atapetada) Avenida dos Aliados.

Neste espaço e no nosso tempo encontrar o futuro não será reencontrar o passado. No entanto, desistir da conservação e reutilização é desistir de alguma forma desistir dar futuro ao passado. E isso é grave para a memória da cidade, como para a memória que cada um tem da (sua) cidade. Ora o Bolhão é único e tem marca registada, reconhecida em todo o país e desde logo pela generalidade dos cidadãos da cidade expandida e plurimunicipal.

3. Atitudes

A dita "livre iniciativa", ou os "agentes privados de desenvolvimento", estão associados a uma "natural" e já muito estudada - e demonstrada - tendência para o aumento das diferenças, por vezes acentuadas sobre o território também por acções políticas, como na lamentável diferença entre Este e Oeste, com o Polis (atlântico), nos parques urbanos (de que há apenas o ocidental), ou na requalificação da marginal (só da Ponte da Luís até à Foz). Nada há contra o mercado, nem contra o Estado o que parece que falta é bom investimento privado, empreendedor e produtor de riqueza para a sociedade, e bom Estado, que saiba gerir o que é seu e saiba regular o mercado, sem se demitir, nem se misturar senão com regras claras.

Por sua vez, os utilizadores da cidade vivem cada vez mais em "ilhas urbanas" (leia-se condomínios fechados, bairros sociais, campus universitários, ou futuros quarteirões gentrificados da Baixa) e usam nas deslocações cada vez mais os "tubos" (VCI, A3, IC1, ou metro), numa crescente oposição entre espaço público e privado, de acordo com um processo marcado por uma crescente privatização do espaço de uso colectivo. Mas, se o Estado somos nós seremos nós incapazes de construir e gerir a cidade? Parece que sim, pelo menos no caso do Bolhão (e do Palácio do Freixo? e do Mercado Ferreira Borges? e do Palácio de Cristal e do?

4. Conclusões

Reutizar um elemento essencial de um espaço e de uma época, muito importantes na cidade, obriga a procurar manter a fidelidade da forma e da função. Ao contrário, alterar o Mercado do Bolhão, demolindo-o para voltar a construí-lo com estacionamento e parte central alteada, ou esventrando-o para criar mais pisos de comércio ou habitação, é sem dúvida contribuir para o empobrecimento e estandardização da cidade.

Manter o Bolhão sem "ashoppinzamentos" é, afinal, um exercício de mero bom senso, bastando saber aprender com os outros, seja com os seus erros (aconselha-se à Câmara e à Tramcorne uma visita ao que existe em Paris no lugar do mercado Les Halles e cuja demolição hoje se discute) e nos seus sucessos (veja-se o Mercado da Boqueria, em Barcelona, ou o mercado central de Frankfurt). Porque o Bolhão que temos, como mercado, faz falta ao Porto para criar uma nova relação da cidade com o campo (com produtos biológicos ou certificados, por exemplo); para apoiar a ocupação residencial da Baixa (que ainda se pretende, certo? E que precisa de comprar alimentos, certo?) e porventura mais ainda, para o desenvolvimento do turismo, já que os visitantes procuram emoções e atmosferas diferenciadoras e não tanto os espaços comerciais estandardizados.

Enfim, haja esperança que todos - e sobretudo os eleitos - considerem as lições da história da cidade e os efeitos de intervenções de vário tipo em casos idênticos e tenham bom-senso, tendo em vista as escalas e os tempos do Bolhão na Baixa; no concelho do Porto; na cidade de 750.000 habitantes num espaço com raio de 8km; no Norte e como imóvel de interesse nacional e alcance no turismo internacional, presente na memória dos mais velhos, na percepção dos mais novos e importante também na consideração daquilo que pensarão os que estão para nascer sobre o que hoje lhe fizermos.

sábado, 17 de maio de 2008

Fernando Jesus (Assembleia da República) ouve o IGESPAR

"O Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (IGESPAR) será a próxima entidade a ser ouvida, depois de amanhã, nas audições da Comissão do Poder Local do Parlamento sobre a reconversão do mercado do Bolhão (Porto). Desta vez, apenas o redactor - o deputado Fernando Jesus - conduzirá as audições, que darão a palavra, ainda, à TramCroNe (futura concessionária do mercado) e à secção regional do Norte da Ordem dos Arquitectos. O socialista desloca-se ao Porto para ouvir os protagonistas portuenses. Prevê-se que o relatório final da comissão esteja concluído em Julho.


A sessão iniciar-se-á às 10 horas no Governo Civil do Porto e tomará toda a manhã. Em futuras audições, Fernando Jesus tenciona ouvir as associações dos comerciantes do Bolhão e do Porto e o ex-presidente da Câmara, Fernando Gomes, que lançou, "em 1993, um concurso público para a requalificação do Bolhão, ganho pelo projecto do arquitecto Joaquim Massena". No entanto e depois de terem sido ouvidos os peticionários em sede da comissão, como determina a lei, a prioridade vai para o IGESPAR."

A posição do instituto é fundamental dado que o Bolhão é um património classificado. Por isso é que vamos ouvi-lo, logo a seguir aos peticionantes", explica Fernando Jesus, sublinhando que a Câmara do Porto já remeteu uma informação sobre o processo do mercado à comissão parlamentar, em que "refere-se apenas ao processo actual". No documento, não faz o histórico nem indica, como explicita o deputado, a existência de um concurso público anterior.

É provável que, após todas as audições, seja necessário ouvir, novamente, a Autarquia. Neste momento, os deputados aguardam pelo envio das plantas e do regulamento do Plano Director Municipal do Porto e do relatório da inspecção, feita pelo Laboratório Nacional de Engenharia Civil, ao edifício.
Artigo Jornal

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Vereador não fala sobre PDM e Mercado do Bolhão

Jornal Público : Patricia Carvalho

O vereador do Urbanismo na Câmara do Porto, Lino Ferreira, recusou-se, ontem, a comentar a afirmação da Plataforma de Intervenção Cívica (PIC) de que o Plano Director Municipal (PDM) da cidade não permite a instalação de habitação ou escritórios no Mercado do Bolhão - uma das ideias sugeridas pela TramCroNe (TCN). "Não alimento essas polémicas. O projecto que for apresentado tem que ir ao encontro das exigências do Igespar e da Câmara do Porto e aqui inclui-se, é claro, o PDM", disse apenas o vereador. Questionado sobre se o actual PDM permite um uso diferente do comércio, Lino Ferreira disse que teria "que estudar a questão".

No mercado, ontem, preparava-se tudo para a eleição dos novos órgãos da Associação de Comerciantes do Mercado do Bolhão. A escolha entre as duas listas concorrentes - uma encabeçada pelo actual presidente, Alcino Sousa, e outra que apresenta como cabeça de lista Hélder Francisco - deverá decorrer amanhã, por voto secreto.

Num acto "claro de campanha eleitoral", Augusto Machado, sócio-gerente da loja exterior Gentleman, apelou, ontem, ao voto em Alcino Sousa. "Ninguém é ingénuo. Sabemos que se a TCN não tiver condições para continuar vai pedir uma indemnização à câmara e se vai embora", disse o apoiante de Alcino Sousa, acrescentando: "Não aproveitar para se recuperar o Bolhão seria calamitoso para a cidade e para quem está lá dentro a trabalhar."

Já a lista que propõe Hélder Francisco para presidente da associação distribuiu o seu programa que defende uma reabilitação diferente da proposta pela TCN. "Que os comerciantes - do interior e do exterior - sejam convidados como parceiros económicos, pela Câmara Municipal do Porto, para a reabilitação e gestão do Mercado do Bolhão", diz um dos pontos do documento.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Reunião PIC

Amanhã, terça-feira, haverá reunião da Plataforma de Intervenção Cívica (PIC) na Beneficiência pelas 18:30.

Toda a cidade está convidada!